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Uma medida polêmica

Por Júlia Parreiras de Matos

Desde o ano de 2007, o Programa Nacional de DST’s e AIDS tem o projeto de implantar máquinas de camisinha nas escolas públicas de ensino médio de todo o país com o objetivo de diminuir os níveis de contaminação dos jovens pela AIDS e outras DST’s. A medida se tornou imediatamente polêmica e as opiniões a esse respeito são bastante divergentes, o que impossibilitou a efetivação do projeto na época. O assunto voltou à tona e os coordenadores do projeto decidiram o testar em duas escolas ainda esse ano.

Sabemos que os jovens começam a vida sexual cada vez mais cedo e que a camisinha é o método contraceptivo mais rentável para a prática de sexo seguro, pois é eficaz (prevenindo contra a gravidez e DST’s) e tem baixo custo. Apesar das facilidades desse método, muitas pessoas ainda fazem sexo sem proteção e acabam sendo contaminadas pelas DST’s. Para diminuir as taxas de contaminação, o governo acredita que o caminho é fornecer aos estudantes o acesso rápido e fácil à camisinha, implantando as máquinas. Sou parcialmente a favor dessa medida, porque reconheço que o uso da camisinha é eficaz, mas somente quando usada corretamente, o que nem sempre ocorre.

Assim sendo, acredito que a implantação das máquinas deveria ser precedida e acompanhada por aulas de educação sexual, que teriam o objetivo de educar os adolescentes a respeito do sexo responsável e mostrá-los que a camisinha e os outros métodos contraceptivos só são válidos quando utilizados da maneira correta. Vale ressaltar que essas aulas deveriam ser levadas à sério, tanto pelos alunos quanto pelos professores, e é fato que isso não costuma ocorrer na maioria das escolas públicas, onde essas aulas são banalizadas, o que demonstra a imaturidade dos alunos. Nessas escolas, a implantação deveria ser adiada até que a comunidade escolar demonstrasse maturidade suficiente para freqüentar às aulas e, assim, realizar sexo seguro.

Realmente, o sexo faz parte da vida dos adolescentes e não nego que as máquinas ajudariam na abertura ao diálogo entre pais e filhos e facilitariam o acesso das meninas, principalmente, à camisinha já que muitas delas se sentem envergonhadas ao buscar preservativos em postos de saúde ou comprá-las. Porém, imagino que se essas máquinas fossem colocadas nos corredores, não seriam tão usadas. Podendo ser colocadas nos banheiros, por exemplo.

Há quem diga que a colocação das máquinas vai incentivar à prática de sexo pelos adolescentes, mas discordo disso porque não é o fato de não precisar comprar a camisinha que vai fazê-los praticar o sexo, afinal, quem quer realmente fazer sexo, não vai deixar de fazê-lo apenas por ter que pagar pelo preservativo.

Por fim, apoio a implantação das máquinas de camisinha nas escolas públicas de ensino médio desde que elas venham acompanhadas de um projeto educacional, afinal, a escola ajudaria seus alunos a encarar o sexo de forma responsável se isso acontecesse. Entretanto, não considero o atual projeto do governo uma boa iniciativa, porque simplesmente colocar uma máquina de preservativos nas escolas sem algum acompanhamento pedagógico é perda de tempo já que, em algumas escolas, tudo correria muito bem, mas em outras, os alunos depredariam a máquina ou desperdiçariam as camisinhas. Com certeza, esse é um passo importante no âmbito da saúde pública e da educação brasileira e é, justamente por isso, que deve ser muito bem analisado.

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