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O Quinto Ponto

Anne Fernandes, Iran de Oliveira e Mateus Feliciano

Ele andou por toda a floresta até encontrar um lugar de difícil localização: era uma caverna pequena, mas que servia para seus propósitos, que ainda estavam em formação. Analisou todo o local e em seguida desceu por caminho bastante íngreme desenhando em árvores e pedras, com tinta vermelha, um arco quase imperceptível até chegar a uma cabana abandonada onde ficaria hospedado até o momento da conclusão de sua tarefa.

Passados dois meses, ele já havia preparado todos os detalhes. Passou três dias montando um pequeno alfinete de joaninha que possuía a cabeça preta, o corpo vermelho, dois pontinhos pretos do lado esquerdo do corpo e três do lado direito e, atrás do broche-inseto, assinou as iniciais de seu nome ao contrário juntamente com um número escolhido aleatoriamente há algum tempo: CK146. Visitou, por diversas vezes, a caverna cuidadosamente escolhida. Preparou cautelosa e pacientemente todo o cenário de sua "brincadeira", principalmente a cabana, local onde ocorreria a cena mais importante, o "clímax" de toda a história. Tratou de pegar emprestado com um rapaz desconhecido uma picape laranja já um pouco desbotada um dia antes da "estréia", pintou-a de verde e colocou na caçamba do carro muitos equipamentos de caminhada comprados anteriormente. Entretanto, faltava uma personagem: uma menina que deveria ter no máximo dez anos de idade, cabelos e olhos escuros para que tudo saísse perfeito.

Saiu a procura dessa valiosa personagem. Buscou-a em um parque relativamente próximo à cabana e encontrou algumas crianças com as características pré-estabelecidas, mas uma o atraiu especialmente. Estudou-a por algum tempo, pouco, porém suficiente. Descobriu que ela estava com o pai e dois irmãos mais velhos e, além disso, ficou sabendo que a menina se chamava Missy, um nome que achou simplesmente maravilhoso.

Esperava, sem pressa, um momento adequado para dar início a mais uma de suas histórias, que se deu quando um menino, o irmão de Missy, estava se afogando no lago do parque e o pai, que já fora salva-vidas, tentava ajudá-lo. Todos que estavam próximo se dirigiram ao local, alguns eram apenas curiosos e outros queriam ajudar. Missy estava sozinha na casa, concentrada em colorir com um giz de cera vermelho o vestido de uma princesa de um pequeno livro. Em poucos minutos, ele entrou na casa e, evitando que a menina gritasse, colocou a mão em sua boca. Depositou cuidadosamente e com o auxílio de luvas o broche de joaninha, que agora estava embalado, em cima da mesa, próximo ao livro de colorir. A criança deixou cair no chão o giz que estava segurando, debatia-se em meio aos braços daquele homem horrível, tentava desesperadamente gritar por socorro e ele falava mansamente com ela, dizia que uma boa menina não se comportava daquela maneira. Ele deu um tapa não muito forte no rosto de Missy, mas suficiente para deixá-la tonta e, enquanto o rapaz fugia em direção a picape, os pés dela bateram em uma grande árvore e um de seus sapatos caiu.

Ele entrou no veículo e colocou Missy no bando do carona. Depois de alguns segundos, ela retomava o equilíbrio e, tomada pelo pânico, começou a gritar, implorava por ajuda, mas ninguém estava perto o suficiente para ouvi-la. O homem sorria enquanto prestava atenção ao caminho que os levava à cabana.

Chegando ao seu destino, puxou violentamente a criança do carro, jogou-a em qualquer canto ao entrar naquela habitação precária, colocou um grande móvel em frente à porta e se dirigiu a outro cômodo para pegar, entre outras coisas, uma faca que fora afiada cuidadosamente por ele. Enquanto isso, Missy, ainda em pânico, observava a cabana procurando meios por onde escapar, mas não encontrou nada e, quando finalmente percebeu as intenções do homem em relação à ela, pôs- se a orar pedindo a Deus que protegesse e cuidasse de sua família, em especial o pai, que a amava profundamente.

Quando o assassino voltou para o cômodo onde havia jogado Missy, não demorou muito para que ele tivesse cumprido seu propósito, deixando uma poça de sangue marcando o local. E, após retirar o vestido da menina ainda com as luvas e deixá-lo ali mesmo, pegou o carro, colocou o corpo, que agora estava envolvido em um pano velho, novamente no banco a seu lado e dirigiu por algum tempo. Parou a picape e com o auxílio de equipamentos de caminhada subiu rapidamente o terreno íngreme que o levava a caverna, onde se arrastou com o corpo até certo ponto. Saiu de lá sem a menina e começou a empilhar várias pedras que já haviam sido preparadas para fechar o que se mostrava agora o túmulo de Missy.

Depois de tanto se esforçar, ele estava deitado sobre sua cama comemorando mais um ponto em seu broche, o quinto. Estava deitado, completamente morto por dentro, levantou sem vida para se alimentar, mas Missy estava em algum lugar, qualquer lugar, estava viva.

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