FANDOM


Por Thayná Mafra Almeida e Phillipe Tavares


Cap 1 – A fuga

Quando Gregor Samsa despertou depois de uma noite de sono agitado, foi se olhar no espelho, como de costume em todas as manhãs e se deparou com uma imagem monstruosa de um inseto. Um ser repugnante, horroroso. Cascas grossas, patas articuladas, antenas... Sim, era uma barata, o bicho que Gregor sempre teve pavor, desprezo e, sobretudo, nojo.

Fechar e abrir os olho e voltar para debaixo do edredom na esperança de que tudo aquilo não passava de uma alucinação. Gregor perdeu as contas de quantas vezes fez isso. Mas não, a cada vez que tentava uma dessas coisas ele só tinha mais certeza de que aquilo era verdade, uma situação definitiva. Mas por que com ele? Logo ele, um homem trabalhador, que sempre sustentou sua a família e fez de tudo para dar uma vida confortável àqueles que amava mesmo sem receber nada em troca.

Passaram-se algumas horas e ele continuava se perguntando:

- Porque isso aconteceu comigo? Como? O que eu fiz para me transformar nesse inseto asqueroso?

Por mais que se perguntasse, Gregor não obtinha resposta alguma.

- Toc toc toc. Gregor, o café está na mesa.

Sua irmã mais nova, Grete, estava o chamando. Pensando em uma reclusão por parte da família devido a forma em que ele se encontrava, a única coisa que Gregor conseguia pensar era em fugir.

Ao ver a janela aberta, ele decidi sair por ela. Atravessa todo o quarto, sobe na cama, se agarra nas cortinas e , quando menos espera , sua irmã aparece. Ela abre a porta e se assusta com aquela barata e dá vários golpes com o chinelo na tentativa de matar aquela coisa nojenta.

Para surpresa de Gregor, duas grandes asas se abrem em suas costas. É nesse momento que ele começa a voar e consegue escapar das chineladas de Grete. Passados alguns segundos de vôo, depois de sobrevoar a janela e pelo quintal da sua casa, ele se sente cansado. Sua energia começa a se estinguir e, por isso, toma a decisão de pousar em uma árvore que estava logo a sua frente.

Como ainda não dominava por completo seus movimentos, alias, a pouco mais de um minuto nem sabia que era capaz de fazer aquilo, ele tenta pousar suavemente mas não foi bem sucedido e acaba indo de encontro com a árvore numa alta velocidade. Isso fez com que Gregor batesse a cabeça e, consequentemente, ficasse desacordado na grama.



Cap 2- Descobrindo um novo mundo




Escuridão e dor. Sim, eram as únicas coisas que existiam naquele lugar. Mas como ele foi parar ali? Onde ele estava?

Gregor estava assustado, na verdade agoniado seria a palavra certa. Ele queria sair daquele lugar mas nem mesmo sabia como. Não conseguia sequer imaginar que local era aquele. Ele ouvia barulhos agudíssimos, algo semelhante a apitos. Mas não via nada, absolutamente nada.

Foi ai que Gregor se deu conta de que precisava abrir os olhos, mais que isso, precisava sair daquela situação. Nesse momento deu-se um clarão. Gregor abriu os olhos, mas tudo estava embaçado. Aos poucos tudo foi ficando mais nítido. Gregor sentiu algo semelhante a um dejavú. Com certeza ele já tinha visto aquilo. Milhares e milhares de formigas se movimentando de um lado para o outro. Uma ajudando a outra. Subiam e desciam morrinhos, sempre carregando alguma coisa. Tido da mesma maneira como havia visto em filmes quando era criança.

Gregor ficou ali parado. Observando, só observando. É, ele realmente estava em um formigueiro. O grande problema é que duas perguntas não saiam de sua cabeça. Como ele havia parado ali? Por quê?

Em um piscar de olhos, várias formigas estavam ao seu lado. Todas com cara de espanto e olhando diretamente em seus olhos. Ótimo ! Ele já não sabia o porquê de tudo aquilo estar acontecendo e agora só o que faltava era ter que dar explicações pra seres que ele jamais havia pensado em conversar um dia.

Para a surpresa dele, uma das formigas disse:

- Oras, mas você não estava morto? Encontramos-te naquela árvore, todo quebrado e...

Nesse momento a ficha de Gregor caiu. Ele foi trazido para o formigueiro por formigas que tinham o intuito de se alimentarem dele. Um longo minuto de silêncio dominou todos os insetos daquele local. Entretanto, este foi findado com o pronunciamento de uma das formigas:

- Por mais que você seja um estranho, meu caro, podemos recebê-lo em nossa humilde acomodação desde que você cumpra com todas as obrigações que lhes forem impostas. Só estou dizendo isso, pois, pelo que vimos você não passa de um sozinho nesse mundo, coisa que nossa espécie abomina. Acreditamos que para vivermos bem é necessário viver em harmonia e união com o outro.

Estas palavras foram talvez as mais bonitas que Gregor já havia ouvido na vida. Apesar de terem sido duras, elas lhe traziam um sentimento bom. Era uma sensação de receptividade, carinho. Mais que depresa ele se manifesta e agradece a todas as formigas dizendo que com certeza ficaria com elas.

Passaram-se meses que Gregor estava vivendo com as formigas e aos poucos ele foi deixando para trás todo o seu pensamento humano e começou a assumir o seu lado animal. Passou a agir como um simples detritívoro, fazia suas obrigações no formigueiro, andava de um lado para o outro ajudando no carregamento de folhas, as vezes passeava pelas residências próximas e até mesmo conhecia outras baratas. Foi ai que ele se deu conta de que realmente havia se metamorfoseado em um inseto. Entretanto ele já não tinha aquele pensamento de que era asqueroso, repugnante. Pelo contrário. Fazendo a análise da sua vida como um todo percebeu que os últimos meses foram os melhores da sua vida e que, por isso, havia se tornado um ser magnífico. Foi ali, vivendo com os insetos, que ele mais aprendeu. Eles o trouxeram alegrias, os ensinaram que não se deve pedir nada em troca e que quando se vive em comunidade é necessário respeito e, sobretudo, olhar o outro como um igual e não como algo que está ali para gerar lucro, já que a sociedade, seja ela animal ou humana, é feita de pequenas partes que ao final de tudo formam um grande mosaico.

Para Gregor não tinha nada mais recompensante que viver em meio aqueles valores, afinal, ao longo de toda a sua trajetória humana a única coisa que ele conseguiu observar foi que a vida era baseada no interesse, onde todas as relações se mantinham apenas enquanto fosse útil e trouxesse benefícios a pelo menos uma das pessoas.

Sim, definitivamente aquela metamorfose foi uma libertação da sua agonia, a possibilidade de se livrar de todas as suas frustrações enquanto um indivíduo explorado por todos.

Interferência de bloqueador de anúncios detectada!


A Wikia é um site grátis que ganha dinheiro com publicidade. Nós temos uma experiência modificada para leitores usando bloqueadores de anúncios

A Wikia não é acessível se você fez outras modificações. Remova o bloqueador de anúncios personalizado para que a página carregue como esperado.